segunda-feira, 16 de abril de 2007

O teu cor de rosa



Detesto as tuas páginas floridas de palavras meigas. A menina que é gabada por ter subido a pulso, que tem um coro de almas que se dizem amigos do coração, que conta histórinhas de noites de paixão com alguém de quem decorou os gestos e os suspiros. Detesto o teu cor de rosa, detesto os teus olhos doces que dizem tão penetrantes e os gostos tão perfeitos, a cereja no topo do bolo, a quem todos desejam. As leituras, as musicas, as expressões, os gemidos, o colo, a delicadeza, as palavras que te dedicam, os poemas, as letras das canções que te escrevem, detesto isso e detesto o teu cor de rosa...

Eu não passo de uma mulher que rasga as entranhas, revelando o negro da alma, o opróbrio dos seus pensamentos. Não guardo nada de belo, não tenho amigos a quem seduzo nem amores desmaiados de prazer no leito. Sou distância e espasmos de raiva, sou bréu e violência injustificada. Detesto o teu cor de rosa que me faz sentir abjecta criatura, sem beleza nem afectos.
Sou paleta unicolor: preto.

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